Rota de Fuga

Quem mais poderia escapar de uma prisão de segurança máxima localizada no meio do nada e que deixaria Alcatraz com inveja? Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger responderiam a isso com muita munição e testosterona, mas dessa vez, mostram que os brutos também pensam.

O diretor Mikael Hafstrom (1408, O Ritual) uniu à dupla Sly & Schwarza para nos ajudar a reviver alguns momentos saudosos da década de 80/90 os famigerados filmes de fuga. Na trama de Rota de Fuga (Escape Plan), Stallone é Ray Breslin, um homem com talento peculiar e que terá de colocar isso em prova da maneira mais árdua. Ray tem a capacidade de escapar de qualquer prisão de segurança máxima, e faz dessa habilidade seu trabalho, onde é reconhecido e admirado pelos poucos que o conhecem.

Ray recebe uma proposta de risco alto onde necessitará quebrar uma série de regras de trabalho e sobrevivência: tentar escapar de uma prisão na qual nem ele mesmo pode saber a localização. E junto com sua equipe Abigail (Amy Ryan) Lester Clark (Vincent D’Onofrio) e o hacker da turma, Hush (50 cent), preparam seus planos e tomam suas precauções para que tudo ocorra da maneira correta, incluindo um código de segurança para encerrar a missão em situações de emergência. Mas algo de errado acontece durante o inicio da missão e Ray Breslin acorda no lugar certo em uma situação errada, onde ele é realmente um prisioneiro sem chances nenhuma de escapar ou de tentar cancelar o trabalho, a prisão é dominada pelo carrasco diretor Hobbes (Jim Caviezel) e agora, para escapar, Stallone precisará da ajuda de um dos prisioneiros mais “sangue nos olhos” que tope o desafio de tentar fugir da fortaleza, e quem se oferece é o brutamonte Rottmayer (Schwarzenegger) e juntos prometem inverter a situação na qual foram colocados.

O surpreendente em Rota de Fuga, é que não parece exatamente um filme com Sly & Schwarza, com tiros, explosões, mulheres bonitas e ganchos de direita soltos na tela (não que não haja isso, só que de uma maneira moderada), a trama se mantém tão centrada na construção da relação de cumplicidade entre os dois, que não deixa muito espaço para o “quebra-pau”.

A fotografia de Brendan Galvin é algo curioso, e até bem executado, no início do filme, o solitário Ray Breslin segura uma bíblia com uma passagem que faz alusão a sua situação fake na prisão, Breslin queima a folha, e das cinzas ele traça um desenho na parede do caminho para sua liberdade, é quase uma sequencia divina as cenas seguintes. Enquanto Breslin nos pontua as três regras/mandamentos necessários para sair de uma prisão de segurança máxima, acaba indo parar em uma solitária com teto gradeado deixando-se ver um céu azul que num plongée mostra Ray sentado praticamente numa pose de redenção, com a bíblia a sua frente, esperando um sinal divino o tirar de lá. O que logo, logo se mostrará de forma humana e perspicaz.

Assim que Ray vai parar na prisão dominada pelo diretor Hobbes, temos uma série de planos gerais mostrando o solitário e agora perdido Stallone no meio de uma multidão de inimigos, o que muda radicalmente quando a cumplicidade entre ele e Rottmayer começar a se fortalecer, a câmera se mantém próxima dos dois, e faz questão de ocupar a tela (o que não é muito difícil) com Breslin e Rottmayer em quadro, as duas cabeças pensantes necessárias para escapar de qualquer lugar. O que de cara, lembra o seriado Preason Break, mas o que na série demoraria uma temporada inteira para ser resolvida, com a dupla do barulho é resolvida em segundos.

A direção de Mikael Håfström é pontual e não deixa muito a desejar, talvez em alguns exageros, não da parte dos dois protagonistas, mas dos coadjuvantes, o personagem de Vincent D’Onofrio, Lester Clark, passa metade de suas cenas lavando as mãos com algum tipo de loção ou álcool gel, como se estivesse afastando a sujeira de suas mãos, o que rapidamente o põe no radar de um possível vilão. 50 Cent parece perdido, seu personagem não acrescenta muito, sendo o hacker, ele deveria ter tido mais responsabilidade do que lhe deram, o mesmo vale para Amy Ryan, e seu personagem facilmente descartável. Outro exagero, mas que não foi um desastre, é atuação de Jim Caviezel, que deixou seus personagens duros, sofríveis e quase sem expressão por um sádico com estranhas manias e uma tendência homossexual. Algo curioso está no figurino, o uniforme dos guardas é uma réplica dos uniformes dos guardas do filme “THX 1138” talvez, Ray e Rottmayer precisem encarnar THX para escapar da prisão.

O filme se divide bem nos dois primeiros atos, aceitamos tudo de bom grado, até as coincidências que acontecem para favorecer a dupla e seu ajudante Javed, o terceiro ato (como já esperado), parte pra pancadaria, tiração de sarro de Stallone e Schwarzenegger, efeitos visuais medianos e é claro slow-motion. Tudo isso faz de Rota de Fuga, um dos filmes de ação mais divertidos do ano, e traz uma atuação diferente, mais solta e muito bem executada de Schwarzenegger. Dois sessentões fugindo de uma prisão de segurança máxima é claro que vale a pena coferir.

6/10

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