Bling Ring – A Gangue de Hollywood

O novo filme de Sofia Coppola, Bling Ring – A Gangue de Hoolywood (2013), é baseado em uma história real, de um grupo de jovens de classe média alta de Los Angeles que invadia e furtava casas de celebridades em meados de 2009. O roteiro é baseado no livro de mesmo título escrito pela repórter que acompanhou o caso, Nancy Jo Sales.

Os filmes baseados em fatos reais, tem uma preocupação em contar a sua versão do real.
Em “Bling Ring”, Sofia Coppola consegue fazer uma crítica a sociedade adoradora das celebridades e nessa “brecha às culturas de massa” a diretora insere os valores “Olimpianos” (termo usado pelo sociólogo francês Edgar Morin para classificar os heróis modelados pela mídia).
A mídia utiliza suas existências privadas para nos aproximar e provocar identificação. Esses “modelos” poderosos desfilam, sempre impecáveis, em roupas de alta costura, com joias, carros luxuosos, sempre indo as baladas mais caras, abusando de drogas e álcool, e são “flagrados” ultrapassando limites e as leis da sociedade.

Esses semi-deuses idolatrados pela juventude ficam vulneráveis por divulgarem todos os seus passos nas redes sociais. Se aproveitando desses recursos, a “gangue” descobre seus endereços e facilmente invade suas casas e seus tesouros.
Os jovens saem do “status” imaginário de acompanhar as celebridades no mundo virtual, para o real, de invadir suas casas , furtar seus pertencem e assim, “participar” das suas vidas de perto.

As inúmeras cenas de invasões são um excesso de objetos cênicos patrocinados pelas próprias cobiçadas marcas furtas das celebridades: Chanel, Gucci, Tiffany, Cartier e Marc Jacobs.  A obsessão dos personagens por possuir os bens de seus ídolos pode ser comparada à antropofagia de consumir partes daquele que se idolatra para, assim, se tornar igual a ele. Confesso que saí do cinema com uma enorme vontade de comprar uma bolsa e sapatos novos.

As cenas seguintes às invasões são inúmeras festas em clubes, regadas à álcool e drogas. Longas cenas em slow motion, são de puro êxtase, nas quais o grupo se gaba e se entrega, contando a todos suas façanhas. As fotos nas redes sociais são provas e troféus exibidos com orgulho, seus tesouros, as bolsas, jóias, sapatos e maços de dinheiro.  E a Kristen Dust, tinha que aparecer, claro, Sofia eu também amo ela.

A gangue desafia cada vez mais e parece esperar punição, em uma sociedade em que os pais são cada vez mais permissivos, eles aguardam a polícia e a justiça os punirem.

A personagem de Emma Watson, Nick, reafirma como a atriz tem capacidade para interpretação de papeis diferentes de Hermione Granger, estigmatizada pelos dez anos da trilogia Harry Potter. A personagem é fútil e cômica. A utilização do escândalo para auto promoção, aconteceu na história real e até virou um reality show.

A temática é recorrente na filmografia de Sofia Coppola: a juventude e a aceitação do indivíduo no grupo, desde sua estreia no curta “Lick The Star”, de 1998, até “Bling Ring”. O tema pode parecer superficial na atmosfera do jovem, mas Freud em “O Mal-Estar na Civilização” já comparava esse sentimento de “pertencimento oceânico” à necessidade humana de participar/ter uma religião e fazer parte de algo maior.
Talvez na juventude esse sentimento seja despertado, quando o indivíduo se desprende dos país e da família, e procura outro grupo, com maiores identificações.

7/10

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