Truque de Mestre

De M.Basílio

É quase impossível entender os critérios de avaliação de alguns atores na hora de escolher um personagem. Quer dizer, através de diferentes variáveis – como produção, orçamento, filmografia do diretor e a própria leitura do roteiro – é possível prever se o filme será um sucesso de público e crítica ou uma mancha negra na filmografia. Claro, a grana é uma boa desculpa, principalmente quando surge o nome de Louis Leterrier na direção – péssimo, porém um dos maiores diretores caça-níquel da atualidade. Mesmo assim, acredito que para atrair um elenco do calibre de Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Morgan Freeman e Michael Caine é preciso de muito mais do que dinheiro. Com isso em mente, fica a pergunta: o que todos estes atores estão fazendo no péssimo Truque de Mestre (Now You See Me)?

Na história, quatro ilusionistas (Eisenberg, Harrelson, Isla Fisher e Dave Franco) são reunidos por um misterioso individuo para formarem uma equipe. Um ano depois, eles se apresentam em Las Vegas com o nome de “Os Quatro Cavaleiros”, e sob a vigia de um patrocinador milionário (Michael Caine) exibem um ousado truque que culmina em um assalto à banco, do outro lado do mundo. O truque chama a atenção do FBI e Interpol, liderados pelos agentes Dylan Rhodes (Ruffalo) e Alma Drey (Mélanie Laurent), além de um caça-charlatões (Morgan Freeman). A partir daí começa um jogo de gato e rato entre os personagens.

Não se engane com a boa premissa do filme, que se propõe a fundir Onze Homens e Um Segredo com O Grande Truque. Na verdade, os problemas vão muito além do roteiro.

A direção frenética do cineasta francês faz questão de rodopiar a câmera durante toda a primeira metade do filme – numa provável tentativa de desviar a atenção dos expectadores de um elemento para outro, como num truque de mágica. Isto, aliado a montagem igualmente surtada, só consegue desviar nossa atenção para o vazio, destruindo qualquer chance de imersão na história e causando uma náusea danada.

O roteiro, que no início é acelerado, diminui o ritmo na segunda metade. Não se surpreenda se ficar sonolento e perder a grande revelação do final (para poupá-los do esforço, só basta prestar atenção no personagem “menos culpado” para sacar final do filme).

Com tantos problemas, voltamos a pergunta inevitável: o que todos esses atores estão fazendo nesse filme?! Michael Caine, Morgan Freeman, Melanie Laurent e Mark Ruffalo atuam no automático. Woody Harrelson tenta, mas nem seu habitual carisma é capaz de salvar suas cenas. E o maior destaque é Jesse Eisenberg. Aqui o jovem ator faz o impossível e se supera, criando um personagem mais detestável que seu Mark Zuckerberg de “A Rede Social”. Quer dizer , se não era para dar o melhor, para que se envolver? Só pela grana? Duvido muito. De qualquer forma, é bom acompanhar as bilheterias. A resposta pode aparecer lá.

Enfim, “Truque de Mestre” chega aos cinemas com a proposta de ser o novo heist movie do momento. Mas, infelizmente, lhe falta a elegância que é a marca registrada do gênero. Sabe o que seria um verdadeiro truque de mestre? Desaparecer, para sempre, com esse filme da minha memória. Está aí um truque que eu pagaria pra ver.

4/10

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