Velozes e Furiosos 6

De M. Basílio

Na primeira cena de Velozes e Furiosos 6 (Fast & Furious 6), Dominic (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker) estão correndo perigosamente pelas ruas, em algum lugar no Pacífico Sul. A julgar pela fúria da corrida, supomos que ela seja motivada por algum assunto de vida ou morte – algo que no mínimo vá justificar um acidente que possa ocorrer, pondo em risco suas vidas e de outras pessoas que passarem pelo caminho. Ao fim da cena, descobrimos que o motivo de tanta pressa era uma simples visita de pai e tio ao filho recém nascido de Mia (Jordana Brewster). Por mais poético que possa parecer o ato – o de correr até a morte para encontrar o filho recém nascido – ele não se justifica no mundo real. E esse clima de exagero, que desafia os limites da física e da sensatez, reflete o filme do início ao fim.

Na trama, depois do bem sucedido assalto no Rio, Dom e sua equipe estão espalhados pelo mundo, vivendo como milionários. Porém, as saudades de casa tornaram suas vidas incompletas. Enquanto isso, o agente Luke Hobbs (Dwayne  “The Rock” Johnson) está no encalço do criminoso internacional Owen Shaw (Luke Evans) e de sua qualificada organização, que recebe a ajuda de Letty (Michelle Rodriguez), ex namorada de Dom – que todos julgavam estar morta. A única maneira de combater estes criminosos é pedindo ajuda a Dom e sua equipe, com a promessa de lhes conceder perdão pelos seus crimes, possibilitando a todos voltar para casa.

O exagero permeia o filme em todas as áreas e trabalha no produto final como uma faca de dois gumes. Por um lado, funciona. E muito.

É sempre bom ver o cinema de ação apostar numa estética despretensiosa, como eram nos bons tempos de Van Damme, Steven Seagal e cia. Nesse quesito o sexto filme da franquia acerta em cheio. Na verdade, a série Velozes e Furiosos nunca se propôs a nada além do puro entretenimento e por isso todo o exagero aqui é justificável. A direção precisa de Justin Lin intercala momentos de muita ação – o exagero chega ao limite nas perseguições finais, uma envolvendo um tanque de guerra e outra um enorme avião(!!!) –  e comédia – o personagem de Tyrese Gibson tem uma piada para todos momentos, até quando o cano de um tanque de guerra funga seu cangote. Nestes momentos, não nos preocupamos com “bobagens” como as leis da física e somos tragados pelas estimulantes e exageradas cenas de ação, que garantem a diversão.

Por outro lado, o filme peca nas áreas técnicas. Quando não somos bombardeados pela ação e pela comédia, as falhas aparecem por todos os lados: do roteiro (se Shaw é um criminoso tão competente, por que todos os seus empregados cedem tão fácil ao interrogatório físico?) à direção (precisa mesmo um contra plongée para engrandecer The Rock, que sozinho já é enorme?). Nessas horas o exagero descamba para um humor involuntário.

Um dos maiores erros do filme, porém, se concentra no roteiro que, além de ter vários furos, faz questão de amarrar todos os filmes da série. O cartaz do filme vem acompanhado dos dizeres All roads lead to this, que se traduz para ‘todas as estradas levarão a isso’. Daí já dá para sacar que todas as ações dos filmes anteriores culminam neste. Prepare-se então para um entra e sai desnecessário de rostos conhecidos da série (alguém ainda se lembra do vilão Braga, do agente Stasiak ou da brasileira Elena?) e situações criadas só pelo propósito de haver essa conexão (o destino de Gisele é conveniente para explicar o humor de Han no terceiro filme). Além de estabelecer essa ponte com os anteriores, o roteiro também estabelece um gancho para o sétimo filme, já em pré-produção – fique atento às cenas pós créditos.

No fim, Velozes e Furiosos 6 tem falhas, mas cumpre aquilo que propõe. Como os carros tunados, seu visual é espalhafatoso e exagerado – o que é interessante, mas pouco prático no dia a dia do mundo real.

7/10

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Uma ideia sobre “Velozes e Furiosos 6

  1. Marlon

    Sei que devemos zelar por nossas vidas e também pelas vidas alheias. Mas em um filme, é onda podemos nos imaginar como o personagem, “não estou dizendo que devemos fazer o mesmo”, mas deixar que aquelas cenas que sabemos ser impossível na vida real nos conduzir para o mundo da imaginação. O problema da maioria, é que quer ser mais do que realmente é e não aproveita aqueles minutos onde podemos ser heróis ou bandidos no sofá de nossa casa deliciando cada emoção que o filme nos proporciona…. Se for para os filmes representarem a realidade, é melhor assistir Datena…

    Resposta

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