Uma História de Amor e Fúria

UmaHistoriadeAmoreFuria

Seria “Uma História de Amor e Fúria” a maior alusão ao cinema nacional? Fã desde os 14 anos de idade de gibis e da história do Brasil, o diretor Luiz Bolognesi (Bicho de Sete Cabeças, 2001), travou uma árdua batalha com poucos recursos e muita força de vontade para finalizar seu projeto de quase cinco anos de produção e enfim poder exibi-lo em tela grande. Cada gota de suor dos artistas responsáveis pelo filme parece ter sido incorporada ao roteiro, cada frase dita pelo personagem principal parece ter saído das mãos de quem sofreu o mesmo.
“Mesmo sem perceber, todo dia a gente tá lutando por alguma coisa”.

O índio Tupi, Abegoar (Selton Mello) vive em momentânea paz com sua amada Janaína (Camila Pitanga) até o dia em que recebe um presente/maldição de uma poderosa entidade chamada Anhangá, que o tornaria imortal, até que encontrasse uma maneira de vencer Anhangá. Com o ataque dos portugueses as terras indígenas, Abegoar teve sua tribo dizimada, além de perder o amor de sua vida.
Começava ali, a história do Brasil e a de Abegoar.

Apesar do título de pouco impacto, ele resume bem o contexto em que a trama foi inserida (a história do Brasil).
Depois do ataque, o índio Abegoar já não era mais índio, e sim o brasileiro Mané Balaio vivendo nos primórdios da escravidão. Livre, pobre, porém feliz. Estava novamente junto de sua amada Janaína, e agora com duas filhas, fazia de tudo para não se meter em problemas, mas sem deixar de ajudar seus iguais.
“Tem coisas que escapam do controle das estratégias mais perfeitas”. Abegoar precisou travar uma nova batalha por sua liberdade, e mais um capítulo da história do Brasil foi contado.

Passando pela ditadura como um estudante vítima de torturas e perdas, até o futuro onde o Rio de Janeiro é a cidade mais segura do mundo, e um copo do mais caro whisky escocês é mais barato que um copo de água, Abegoar ainda não sabe metade dos rumos que o aguardam.

Misturando uma linguagem mangá com um traço pouco detalhista e finalização em Cel Shading, o filme parece ter sido feito as pressas, e de certa forma sua produção faz lembrar os caminhos trilhados pelo cinema nacional. Suas lutas divididas entre perdas e vitórias, sempre tentando contar a história do país, denunciar os abusos da época e mostrar as belezas, sobrevivendo pouco de década em década, até conseguir uma posição de conforto, mas ainda longe do almejado.

Apesar da história corrida- quase atropelada, consegue-se acompanhar e até vislumbrar em certos momentos o trabalho realizado no filme. Além de uma aula de história, é uma aula de cinema, cinema de guerrilha, que poderia perfeitamente ser exibido em salas de aula (não fosse pelas cenas de teor adulto). além de uma trilha perfeitamente condizente com a história, com a participação de Camila Pitanga cantando um dos temas principais.

Outra relação que pode se estabelecer com o cinema nacional é ao não tão conhecido Cassiopéia de 1996, de Clóvis Vieira, o 1º filme em CGI nacional, produzido na mesma época que Toy Story, mas, por causa deste, nunca lançado oficialmente e deixado no limbo. Talvez pelo medo de ver seu filme ignorado, e claro, pelo curto orçamento, são claras as falhas no longa, como a má sincronia de dublagem e as animações brutas. Talvez se Luiz Bolognesi tivesse começado o projeto hoje, com a ajuda do agora popular crowdfunding, teríamos um marco na história do cinema brasileiro.

Apesar dos problemas, é um filme altamente recomendado, pois se trata de duas histórias, do Brasil e do cinema brasileiro e como diria o personagem de Selton Mello “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”.

7/10

Anúncios

Uma ideia sobre “Uma História de Amor e Fúria

  1. Renata Fonseca

    “A história é contada pelos vencedores”. Considerando que os personagens principais sempre se encontram no lado do oprimido, é interessante ver uma outra versão da mesma história, no caso do Brasil.
    SE não me engano, o diretor do filme é formado em história. 😉

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s