A Busca

Um road movie nada mais é que uma jornada espiritual: você pode encontrar a si mesmo, como também pode encontrar um novo “eu”.
Em “A Busca” Wagner Moura interpreta Theo, um homem que vive para os negócios, sem tempo para se aproximar do filho, ou para descobrir porquê sua esposa não o ama mais.

Em seu longa de estreia concorrente no Sundance Film Festival na categoria de filmes independentes, Luciano Moura carece de uma direção mais atenta e de um roteiro que explore melhor as situações vividas por seus personagens.

Após uma discussão com sua ex-mulher Branca (Mariana Lima), Theo tenta, em último esforço, reatar a antiga relação com sua família, mas acaba descobrindo que seu filho Pedro (Brás Moreau Antunes), fugiu de casa: começa então a jornada de Theo em busca de seu filho, retraçando cada passo dado por ele ao longo do caminho e no decorrer desta busca, descobrindo mais sobre si mesmo e sobre Pedro.

O primeiro plano do filme nos apresenta o início de um thriller: Theo está em uma estrada, machucado e algo parece estar vindo em sua direção. Pulamos de uma cena de suspense para as origens da trama, onde vemos Theo e somos apresentados ao seu conflito familiar e a primeira pista é mencionada, quando o personagem de Wagne Moura tem um ataque de fúria ao saber que seu filho recebeu um presente do avô, o qual Theo detesta. O maior ponto no roteiro de Elena Soarez e Luciano Moura (Eu Tu Eles, 2000), é que nada é colocado gratuitamente, para cada diálogo há uma pista para que o espectador monte sua própria versão assim como Theo e Branca montam as suas.

O maior problema é como todo o arco dramático é construído, priorizando mais a estética que a construção dos personagens, em sua jornada, Theo passa por uma série de desafios e conhece várias pessoas, as mesmas que ajudaram seu filho, pessoas que entram e saem de sua vida, sem que antes possam antes estabelecer um ciclo de importância na estória, os eventos acontecem de maneira tão rápido que a jornada de Theo parece ter durado um dia. O maior exemplo é o personagem de Leandro Firmino, um borracheiro que não quase não tem importância, estando lá apenas para dar uma informação (uma informação de extrema importância) e que é descartado como um simples figurante.

Wagner Moura já tem experiência com road movies, tendo interpretado o pai de família/líder Romão em “O Caminho das Nuvens” de 2003, onde não tinha os mesmos aparatos tecnológicos de Theo, mas era movido pela crença de sua família. Bem similar à premissa do filme de Luciano Moura, porém, dessa vez o personagem principal deve buscar novamente o afeto de sua família.

A Busca pode oferecer um lugar de graças no coração do espectador, principalmente dos casais com filhos adolescentes, seu roteiro tão bem amarrado apesar dos problemas, oferece uma carga dramática ideal para corações sensíveis, mas não convence como drama, triller, ou Road movie, e no final das contas, vale muito como uma experiência de curiosidade.

6/10

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Uma ideia sobre “A Busca

  1. Testudo

    “mas não convence como drama, triller, ou Road movie” Exatamente isso tenta ser vários gêneros mas não convence em nenhum.

    Resposta

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