Hitchcock

Hitchcoker

Por trás de todo bom artista, há um mentor, seja ele autor, diretor, pintor, cantor, real ou fictício. Por trás do suspense, há Alfred Hitchcook. O mestre dos sustos que nunca ganhou um prêmio há altura, mas obteve todo o reconhecimento merecido, enfim ganha uma homenagem aos seus anos de genialidade, pouco depois de seu filme um Um Corpo que Cai (1958), ter desbancado Cidadão Kane (1941), o mais famoso de Orson Welles, da lista de melhores filmes promovida todo ano pela famosa revista Sight & Sound.

Nascido em Leytonstone, Londres, em 13 de agosto de 1899, era filho de um verdureiro e foi criado sob a rigorosa tutela do catolicismo. Sempre solitário, Alfred observava tudo ao seu redor e talvez esse olhar voyeurístico tenha contribuído em sua visão ampliada sobre o ser humano.
Como e de que forma atingi-lo?
Em 1929, ele obtém seu primeiro sucesso o filme Chantagem e Confissão. Anos mais tarde se mudaria para Hollywood onde o caminho do glamour o aguardava.

HITCHCOCK

Mas como Hitchcook alcançou a fama, e quais eram seus métodos? O filme dirigido por Sacha Gervasi, com roteiro adaptado da biografia do diretor por John J. McLaughlin, e tendo Anthony Hopkins no papel principal, faz um rápido apanhado dos momentos conturbados durante a produção do filme mais popular do cineasta: Psicose (1960), coincidentemente poucos meses depois do canal HBO, ter lançado um filme para TV mostrando os bastidores de “Os Pássaros”, de 1963, o filme seguinte à Psicose, e a relação/ fascínio do diretor com a atriz Tippi Hedren.
Em “Hitchcock”, Gervasi aprofundou a história na relação de Alfred com sua “alma gêmea” Alma Revile (Helen Mirren), a mulher que esteve presente em todos os seus momentos de glória e fracasso, mesmo diante da fixação do marido por atrizes loiras, e até seu sadismo na direção de atores.

Psicose é o filme que mais viria a surpreender os críticos e até mesmo a Hitchcock, que após lançar seu blockbuster Intriga Internacional (1959), já na casa dos 60 anos, estava começando a se questionar sobre seu futuro no cinema, já que outros supostos mestres do suspense surgiam. Hitch: se vê entusiasmado pela história de Robert Bloch, sobre uma golpista que vai parar no famoso Motel Bates, onde nunca deveria ter entrado. Papel esse interpretado agora por Scarlett Johansson loira e linda como Janet Leigh/Marion Crane. A relação de Alfred e às mulheres é o ponto forte do filme, até mais que os bastidores de “Psiscose”. Elas estão presentes em todos os momento de sua vida, seja em casa com Alma, ou em seu escritório com a secretária/braço direito Peggy Robertson (Toni Collette), e até mesmo com aquelas que já provaram dos métodos de Hitch, como à atriz Vera Miles (Jessica Biel). O que enfraquece bastante o roteiro deixando de lado a exploração de personagens importantes como Norman Bates/Anthony Perkins (James D’Arcy), mas que, fora isso, explora bastante a relação conturbada de Hitchcock com a Paramount Pictures.

HitchcockLeigh

Hopkins está quase irreconhecível no papel, mantendo os trejeitos e a voz calma, sem mencionar a maquiagem, porém, quem se destaca é Helen Mirren, que se mostra forte e sempre à frente de tudo, como era Alma, que estava presente até mesmo no Final Cut dos filmes. Apesar de ser uma biopic divertida, “Hitchcook” não mostrou bem o que propôs, e parecia se perder em vários momentos e para reerguê-lo, precisavam da ajuda do fantasma de Ed Gein, que servia como um analista para Alfred Hitchcook: talvez à única presença masculina que exercia alguma influência sobre ele.

Vale lembrar-se dos momentos antológicos recriados como a famosa cena da banheira no Motel Bates, e como Hitchcook decidiu deixar a mítica trilha que serve como principal referência do filme. E é claro, quem conhece o famoso método MacGuffin, criado por ele, que consiste em lançar qualquer objeto que sirva como pretexto para o decorrer da história, sem que esse mesmo objeto venha a ter muita importância, é muito bom ver a relação desse método com a própria história de Alfred Hitchcook
E vale a pena notar a rápida participação de Ralph Macchio, o Karate Kid, como Joseph Stefano, o roteirista de Psicose.

7/10

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