O Vôo

O popular cineasta Robert Zemeckis, diretor de clássicos como De Volta Para o Futuro, Uma Cilada para Roger Habbit, Forrest Gump, e Naufrago volta sobrevoando ao sucesso, com “O Vôo”, que apesar de suas muitas qualidades, faz um pouso forçado cujas consequências são altamente custosas.

Zemeckis está afastado do cinema live-action há 10 anos, ficando a cargo apenas de animações, como O Expresso Polar (2004) e A Lenda de Beowufl (2007). Talvez a não aceitação do público perante as animações tenha feito Zemeckis mudar de ideia e voltar para seu cinema de origem, mas sem deixar sua paixão pelos efeitos visuais para trás. Com um roteiro diferente dos que ele se acostumou a dirigir, escrito por John Gatins (Coach Carter), Robert escala Denzel Washington para viver o piloto de avião Whip, um alcoólatra com problemas de auto-aceitação de seus problemas com bebidas e drogas.

Whip está separado da mulher e é desprezado por seu único filho: vive para o trabalho e principalmente para a farra, acostumado à fama de exímio piloto de avião, ele não mede as consequências da bebida e das drogas em sua vida pessoal e profissional. Sobrevoando uma turbulenta tempestade, que resulta em uma grave falha nos controles do avião. Whip e seu copiloto Ken Evans (Brian Geraghty), conseguem de maneira mítica aterrissar à aeronave sem que se sofram muitas perdas. Assim ele se torna um herói nacional. No entanto, devido a um exame toxicológico feito em Whip, e uma perícia realizada nos destroços do avião, são encontradas provas que podem acabar com a sua imagem e a da companhia.

Para que isso não os afete, Charlie Anderson (Bruce Greenwood) e o advogado de defesa da empresa Hugh Lang (Don Cheadle), surgem para apagar qualquer prova contra o piloto e manter sua imagem heroica. Não aceitando bem os fatos, o personagem de Denzel, busca refúgio com uma amiga que conheceu no hospital, a dependente química Nicole (Kelly Reilly), e também seu melhor amigo e traficante Harling Mays, interpretada comicamente por John Goodman.

Zemeckis só precisaria trabalhar um pouco mais no roteiro, para que seu filme de retorno saísse como esperado, as intenções do longa são claras: Um homem com problemas de autoaceitação passa por altas e baixas enquanto tenta resolver um conflito interno em sua mente, entre contar a verdade e assumir seu problema, ou, continuar sua vida normal e aproveitar sua fama. Denzel Washington foi uma boa escolha, principalmente pra representar Whip como piloto duro e fanfarrão, pois foi com similar atuação, que ele recebeu seu segundo Oscar, por “Dia de Treinamento, 2002”. O público quer ver novamente aquela mesma face, por isso à direção de fotografia não economiza nos close-ups de Denzel, e sua cara de malandro.

Bruce e Cheadle cumprem bem seu papel, talvez por seus personagens não oferecerem uma carga dramática tão pesada, fica mais fácil focar no principal objetivo, que é burlar as regras e sair impune. A personagem de Kelly Reilly acaba obtendo pouca importância na história, apesar de ser o “porto seguro”, de Whip, ele é tão frágil quanto ele, o que nos é mostrado várias vezes quando à câmera foca em seu rosto tristonho (com algumas exceções). Quem brilha é John Goodman, em uma de suas melhores atuações lembrando seu personagem em “O Grande Lebowski, 1998”, quando surge em cena, quase sobrepõe todo o resto do elenco, suas poucas aparições são o suficiente pra deixa-lo marcado.

O filme segue por altos e baixos, hora temos uma cena com boa carga dramática, como a primeira turbulência que antecede o acidente, seguida por uma decaída na edição, e efeitos não tão bem transpostos, sobretudo para alguém com a carreira de Zemeckis. Citando outros autos e baixos, às diversas vezes que Whip entra e sai de seu período de tratamento, o que torna repetitivo e cansativo mesmo para um filme de longa duração.

Criamos expectativas sobre a trama logo de inicio, e assim ela nos alimenta com as reviravoltas a favor de Whip, Denzel demonstra mais e mais o poder de sua atuação, a trilha contribui bastante na aceitação desse personagem. Porém do meio em diante, ela vai se tornando previsível, a partir do momento em que se começa a torcer pelo personagem, fica-se quase ciente do rumo que a história irá tomar. E assim vai perdendo seu potencial, longe de ser um retorno triunfante para Robert Zemeckis, ou, de ser algo ousado na de Denzel Washington, O Voo, não precisa de muito para ser um ótimo filme, mas seguindo rumo a Hollywood, tem que seguir as regras.

6/10

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