Os Miseráveis

LesMiserables

I dreamed a dream, again!

Tom Hooper parece ter descoberto a Estrada de Tijolos amarelos para o sucesso. Com a grande quantidade de prêmios adquiridos em O Discurso do Rei, de 2010, entre eles o Oscar de Melhor Filme, Hooper captou a mensagem, e não mediu esforços para uma nova conquista. Dessa vez, explorando a triste história do ladrão de pães mais famoso da literatura romântica: Jean Valjean, interpretado agora por Hugh Jackman.

Os Miseráveis é um dos principais romances do escritor francês Vitor Hugo, já adaptado por diversas vezes tanto para cinema quanto para teatro. A história se passa no século XIX, entre as batalhas de Waterloo e os vários motins ocorridos anos mais tarde, pós-revolução francesa. Preso e condenado pelo Inspetor Javert (Russell Crowe), Jean Valjean tem sua liberdade renegada, e assim foge de sua condicional em busca de uma nova vida de de uma nova identidade. Passado alguns anos, Valjean consegue reestruturar-se novamente na sociedade, dono de um negócio próprio, ele é conhecido por ser afável com as pessoas, por isso, logo ganha fama e respeito. Uma de suas empregadas é Fantine (Anne Hathaway), que devido à inveja de suas colegas de trabalho, é demitida, forçando-a trabalhar nas ruas vendendo seu corpo (e algumas partes dele), para mandar dinheiro à sua filha.

Após algumas cantorias, Valjean acaba sendo descoberto por Javert, e novamente precisa fugir, desta vez ainda precisa resgatar a filha de Fantine das mãos de Monsieur Thenardier (Sacha Baron Cohen) e Madame Thénardier (Helena Bonham Carter), um casal de trambiqueiros donos de uma estalagem nos subúrbios da cidade. Anos depois e após mais números musicais, a filha de Fantini, Cossete já adolescente, e agora interpretada por Amanda Seyfried, vive as escondidas com Jaean Valjean. Mas o caminho dela se cruza com o jovem revolucionário Marius (Eddie Redmayne), assim como o de Valjean novamente com o de Javert.

Hooper é um cineasta de poucos longas-metragem para tantas premiações: apesar de seus filmes possuírem a nítida intenção de arrecadar prêmios; puxando o espectador pelas emoções e trazendo típicas histórias de superação e autoajuda, ou seja, sendo essencialmente “filmes de fórmula”, Hooper têm seus méritos pelo trabalho de arte e fotografia de suas produções, embora, é claro, ele não seja o total responsável pelas feituras, mas esteja, como diretor, na posição de ser quem concede a palavra final.

Percebe-se em seus filmes a grandiosidade que os cenários obtêm sobre os personagens: os planos gerais usados em excesso tanto em “O Discurso do Rei”, quanto em “Os Miseráveis”, mostram a preocupação em tornar tudo tão real e simbólico a ponto de que os cenários quase se tornem um personagem próprio. A fotografia fica novamente a cargo de Danny Cohen, que trabalhou com o diretor em seu filme anterior. Cohen começa com planos ambiciosos, enquadramentos diferentes, como o famoso ângulo holandês (câmera torta), mas a edição picota-os sem pena, lembrando muito os filmes de Michael Bay. A arte e o figurino são admiráveis, porém demasiadamente coloridos e não contribuem com o tom melancólico que a trama necessita.

Um grande problema, que não deveria acontecer, principalmente em um musical, são atores que não sabem cantar, e o elenco de “Os Miseráveis” sofre disso. Chega a doer os ouvidos os 158 longos minutos (sem pausa), de cantoria. Um dos únicos momentos relaxantes é a famosa cena com Hathaway cantando “I Dreamed a Dream”, onde até mesmo a câmera para pra descansar.No geral: um filme fraco, quase inexpressível, com alguns momentos de brilho. Ainda sim, concorrendo a um par de prêmios.

6/10

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4 ideias sobre “Os Miseráveis

  1. Ana Alice Ferreira

    Critica??,Contou a sinopse toda e no último parágrafo disse o que realmente importava,a crítica veio em apenas 6 linhas…meio estranho né??Encheção de Linguiça do caralho.Mas enfim,gosto de seus trabalhos,já li críticas mais plausíveis do que essa,na verdade muito mais.Achei o filme bom,é claro que alguns argumentos seus fazem sentido,achei o filme longo também,com alguns atores que realmente cantam mal e esse musical cinematográfico nem se compara ao livro escrito por Victor Hugo(que por sinal é um dos melhores que já li).No mais,crítica irrelevante demais,é apenas minha opinião.Muito Obrigada,e desculpe se eu tiver causado algum transtorno.

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    1. E.R

      Transtorno nenhum Ana 🙂 só descordo de uma coisa. Apenas 2 parágrafos de 6, são voltados para a sinopse do filme. E isso porque há muito mais para se contar. 1 parágrafo foi para uma breve introdução, 2 para crítica e 1 sobre o cineasta. Obrigado pelo comentário.

      Resposta
  2. Ana Alice Ferreira

    Muito Obrigada por tudo,E.R qual é o nome??rsrs Talvez eu tenha me expressado mal,mas enfim,foi essa crítica que não me agradou,até porque crítica é gosto né…E.R as outras críticas eu gosto bastante,estou sempre lendo e relendo,gosto muitos dos seus trabalhos…Obrigado por vcs responderem,e E.R qual o melhor filme que vc já viu??É importante saber algo de uma pessoa que realmente gosta de cinema,vai que não vi.

    Grata!!

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    1. Ana Alice Ferreira

      Desculpe mesmo por meu primeiro comentário,não estava bem no dia e queria descontar em todo,foi mal mesmo.Re-li sua crítica,vi o filme novamente… E.R e tive uma visão diferente,bem parecida com a sua…achei a cena final a mais interessante onde o povo sai cantando nas ruas de Paris.Perdão mesmo,e parabéns pelos seus trabalhos.

      Grata!!

      Resposta

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