O Lado Bom da Vida

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(Quase) Todo mundo se considera a pessoa mais disfuncional do mundo. E todo mundo procura encontrar amor. Mas sabendo/imaginando o quão disfuncional ela mesmo é, na verdade todo mundo quer… Alguém tão disfuncional quanto ela para amar.
Ok, talvez queiram alguém melhor, sem tantos traumas, problemas e imbróglios quanto elas mesmas, mas no mínimo e em seu cerne… Alguém tão disfuncional quanto você… Que seja capaz de entender seus problemas. E se não entedê-los, no mínimo aceitá-los.
Alguém que o aceitei como você é, apesar, e as vezes, por causa de todos seus problemas.
Pode não parecer de imediato, mas “O Lado Bom da Vida” é sobre isso.

Pat (Bradley Cooper) é um ex-professor que passou os últimos 8 meses em uma instituição de tratamento psicológico após encontrar sua esposa traindo-o com outro professor da escola aonde ambos lecionavam e agredi-lo de forma extremamentete violenta.

Diagnosticado com transtorno bipolar, após seu retorno, e morando com seus pais, Pat tenta se readequar a vida em sociedade. Correndo bastante e absolutamente centrado em reatar com sua esposa, pela qual se mostra completamente fixado, mas que, no entanto, tem uma ordem liminar que o restringe de vê-la ou mesmo contata-la, Pat se mostra exageradamente otimista, enquanto todos ao seu redor, de seus pais a seu melhor amigo, não compartilham de suas idéias.

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É quando, por ventura, conveniência, e certas armações, acaba se encontrando com Tiffany, a cunhada de seu melhor amigo, Ronnie, que sofreu uma perda ainda pior do que a de Pat, já que seu marido, um policial, foi recentemente morto em serviço.

Desde sua primeira interação, Pat e Tiffany tanto batem de frente quanto parecem se entender, de forma que só uma pessoa em crise consegueria entender a outra.
Após alguns confrontos, de certa forma forçados por Tiffany, que claramente parecia querer se conectar com Pat apesar de sua resistência, eles finalmente se entendem melhor e iniciam uma amizade, apesar de certos incidentes, inclusive um no qual ambos conseguem irritar e provocar um ao outro intensamente.

A partir daí, se tornam verdadeiros amigos, já que, de certa forma, se enxergam um ao outro.
Sua  amizade se intesifca ainda mais quando,  forçado por uma promessa de Tiffany, de que entregará uma carta dele para sua ex-exposa, Pat concorda em fazer parte de uma competição de dança na qual Tiffany sempre quis competir.

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O “Lado Bom da Vida” poderia facilmente ser confudido com uma comédia romântica, mas está longe disso. É muito mais sobre os trâmites de um homem em busca de estabilidade e daquilo que perdeu do que de uma garota ou um relacionamento. Até porque, pela maior parte do filme Pat está em busca da garota errada, a que o rejeitou e já perdeu, enquanto a garota ideial para ele, tão “danificada” quanto ele está bem a sua frente, disposta desde o início a algo mais.

É um filme, sem sombra de dúvida, centrado em Pat e sua busca que, queira ou não, acaba adquirindo um quesito existencial, já que, em seu percurso, acaba forçando-o a reavaliar a si mesmo e a alguns elementos ao seu redor. Os traumas de Tiffany, que, como mencionado antes, talvez sejam ainda mais intensos, mas talvez um pouco mais bem resolvidos do que o de Pat, acabam ficando em segundo plano. Evidentemente, tem sua importância, mas não são tão atendidos quanto os de Pat.

O pai de Pat, Pat Sr., além de lidar com o retorno de seu problemático filho ao lar, lida com outros problemas. Viciado em apostas com seu amigo, é um homem tão surpesticioso que chega ao ponto de acreditar que a presença ou não de seu filho na casa faz diferença no placar que seu time, os Eagles da Filadélfia, obtém em suas partidas. Patrizio vê até mesmo na relação de Pat com Tiffany um risco para sua surpestição, até que o erro de suas idéias lhe é apontado. Mas enquanto se apresenta como viciado inveterado em apostas, Robert de Niro, no que facilmente é sua melhor atuação em mais de uma década, se apresenta como um pai, as vezes tão severo quanto preocupado pelo bem estar mental de seu filho.

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E não é por menos que “O Lado Bom da Vida” brilha. Jacki Weaver, como Dolores, a conciliadora mãe de Pat, faz “apenas” o que tem que fazer, mas o faz tão bem que se destaca. O sumido Chris Tucker, sumidíssimo desde o péssimo “A Hora do Rush 3” ressurge depois de 5 anos, mais gordo, em um papel pequeno, mas muito bem executado como o amigo de Pat do Centro de Tratamento. John Ortiz, o amigo de Ronnie apresenta muito bem as angústias de um homem preso em um casamento sem a comunicação que deveria ter, problema que Pat, sem papas na língua, diagnostica desde cedo.

O título brasileiro do filme não faz muito juz ao título original.
Uma “silver lining” é algo bom de algo, é o “lado bom” que você poder tirar de uma situação ruim. E é isso que os personagens centrais de “O Lado Bom da Vida” tentam fazer. Com, e apesar, dos eventos traumáticos pelos quais passaram, eles tentam continuar a viver e talvez, apenas talvez, encontrar algo bom pra si mesmos. Neste esforço, acabam encontrando a si mesmos… E um ao outro.

10/10

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