O Mestre

Master

Por suas poucas entrevistas e declarações, Paul Thomas Anderson, parece ser do tipo carrancudo, exigente e perfeccionista, que consegue tirar mais do dos atores do que parecem serem capazes de oferecer e um claro exemplo disto em sua filmografia são as boas atuações de Mark Walberg em “Boogie Nights”, de 1997 e de Adam Sandler em Embriagado de Amor, de 2001.
Cinco anos atrás ele nos deixou estarrecidos com o personagem Daniel Plainview de “Sangue Negro”, interpretado brilhantemente por Daniel Day-Lewis e sua famosa frase “I drink your milkshake”, .
Agora ele volta a nos surpreender, trazendo Joaquin Phoenix de volta das cinzas de sua imagem manchada em “I’m Still Here”, de 2007, que em “O Mestre” volta a demonstrar seu talento, como se ainda fosse preciso.

Tocando na ferida exposta de certas celebridades de Hollywood, Anderson resolve nos mostrar um pouco do início da Cientologia, que apesar do que poderia ser esperado, talvez um filme que criticasse ou expusesse de qualquer forma pejorativa a Cientologia, o que nos é apresentando é a crua história de um homem, sem rumo, que é ajudado ao mesmo tempo que serve de cobaia para um pesquisador, que ainda está no princípio do desenvolvimento de uma nova “cura”, para os males que afligem o ser humano.

MestreHoffman

Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um veterano da 2º Guerra, volta para casa sem esperanças e mentalmente perturbado.
Freddie é um sujeito quase inexplicável: magrelo, corcunda, alcoólatra e solitário. Não consegue manter-se em um emprego por muito tempo sem arrumar problemas e suas poucas amantes são afugentadas por seu comportamento errático.

Por ventura de seus problemas, Freddie acaba entrando de penetra em uma festa em um barco de luxo, e é levado até Lancaster Dodd, “O Mestre” (Philip Seymor Hoffman), que o acolhe em sua embarcação.
Como possui um grande talento para a produção de misturas alcoólicas, isto é o que, a principio, atrai a atenção de Lancaster. Após se conhecerem um pouco melhor, acaba se tornando uma das cobaias no tratamento do Mestre cuja a intenção é a de nos ajudar a saber quem e o que nós somos com base em quem nós fomos em vidas passadas nesse plano. E desta forma Freddie Quell, encontra alguém para seguir e louvar, de sua própria maneira.

MestrePhoenix

Conduzido de forma brilhante, os méritos não se direcionam apenas pela magnífica atuação de Phoenix. Toda a sequencia de introdução ao culto, entre Joaquin e Philip Seymor Hoffman é fantástica: um jogo de perguntas e repostas acirrado, que faz transparecer em um momento, o controle que Seymor Hoffman obteve sobre seu personagem, calmo e sereno, mas que esconde sentimentos explosivos por dentro, e os põe para fora assim que seu pavio se apaga,  mas que nunca responde à sua esposa Peggy, interpretada por Amy Addams talvez no auge de sua carreira, uma mulher de coração duro, que visa o sucesso do marido, e não mede esforços para que “o Mestre” nunca se desvie do caminho certo.

A fotografia fica por conta de Mihai Malaimareh Jr, que trabalhou recentemente com Copolla em “Twixt”, de 2011. Sua fotografia saltar aos olhos com planos abertos, um belo contracampo, cenários mirabolantes e acompanhado da prazerosa e pontual trilha do já convidado da casa, Jonny Greenwood. The Master se mostra um filme maduro, sua longa duração e seus momentos delicados mostram um filme com claras intenções e escolhas corretas.

8/10

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