Django Livre

DjangoFritz

D-J-A-N-G-O; O “D” é mudo! E os diálogos são fracos.

Quentin Tarantino, o copiador mais aclamado da mídia pop, retorna ao seu trono de ouro, humildemente designado por fanboys do mundo todo. Dessa vez, misturando o western spaghetti com blaxploitation, e tomando como partida o filme de Sérgio Corbucci, Django (1966), com Franco Nero, um solitário herói de poucas palavras que sempre carregava consigo um caixão, enfrentando duelos enquanto seguia seu rumo (Qualquer semelhança com Um Pistoleiro Chamado Papaco, é mera coincidência). Dessa vez; transposto na pele de um escravo um pouco mais tagarela, que não carrega um caixão, mas cadáveres.

Ao som do maravilhoso tema original de Luis Bacalov e cantado por Rocky Roberts, o escravo Django (Jamie Foxx), caminha pelo deserto de rochas em algum lugar do Texas, dois anos antes da guerra civil. De cabeça erguida, mesmo sabendo seu destino. Enquanto os planos não se limitam a mostrar todo o cenário montanhoso, o por do sol que nos remete a nostalgia do clima western, as letras que anunciam o título, grandes e vermelhas, também nos avisam que um futuro banho de sangue está por vir. E na calada da noite, enquanto os escravos andam a passos apertados, e seus capitães montados os levando presos com correntes, eis que surge a carruagem do dentista o Dr. Schultz (Christoph Waltz), procurando um membro em particular, alguém que o ajudasse no reconhecimento de três bandidos, que para sorte de Django, eram os homens de quem ele queria vingança.

“Compro!” Anuncia Waltz, para a dupla de mercadores sobre Django, com o tom mais sarcástico que só ele sabe fazer. E como já anunciavam as letras vermelhas, em menos de dez minutos de filme, já temos ali um belo tiroteio regado a sangue e comédia.

O filme apesar de sua longa duração 2 horas e 45 minutos, passa apressadamente, Django e Dr. Schultz, tornam-se parceiros de caça, e os gatilhos mais rápidos do sul. Passando de fazenda em fazenda procurando seu alvo, e por algumas cenas de vergonha alheia junto com Jonah Hill. Enquanto adquirem fortuna, planejam salvar a esposa do escravo livre, Broomhilda Von Shaft (Kerry Williams), das garras do famoso fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Tarantino é mestre em tricô, sempre foi sua colcha de retalhos apesar de conter uma variedade de tecidos diferentes, quase nunca deixa um nó solto. Ele consegue pegar os elementos mais absurdos de filmes cults, e colocar em suas produções fazendo o parecer um diretor ousado. Como a maioria de suas produções, Django não trás uma mensagem profunda ou propõem devaneios ao público para logo após a sessão; é basicamente Mate ou Morra. Tudo é movido pelo ódio e vingança, e só assim as coisas voltam ao seu devido lugar.

Desde Bastardos Inglórios, nosso querido Waltz, não tem feito papéis que repetissem a mesma maestria do que o caçador de judeus. O que em Django, ele volta a surpreender, suas falas, seus trejeitos e visual está idílico (destaque para a cena em que ele conta a história da princesa Broomhilda). Nenhuma atuação se deixa a desejar no filme, talvez Jamie Foxx tenha ficado sobreposto ao personagem Dr. Schultz. DiCaprio cada vez mais mostra um amadurecimento em sua atuação e personagens, Samuel L. Jackson, está mais caricato que nunca, interpretando um escravo livre, com preconceito racial. Destaque para a rápida, porém significativa participação de Franco Nero, que passa o bastão de seu personagem para Foxx.
Em comparação a seu último filme, vemos um declínio em Django, Tarantino parece ter largado seu vicio por pés e sustentado um vicio por pans, é até perdoável os constantes zoons forçados, e os plongées, mas o uso exagerado de um mesmo movimento não acrescenta nada e não quer dizer nada, até mesmo os palavrões repetitivos, e as fracas frases de efeito no roteiro, tem seu significado. Django está vivo e livre, mas estaria mais a salvo com Sally Menke.

7/10

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