O Impossível

ImpossivelEncontro

Faz oito anos que a tragédia dos tsunamis no sul da Ásia ocorreu. Não é à toa que somente agora chega aos cinemas um filme sobre a tragédia. Houve uma menção ao fato no filme Além da Vida, no qual uma das personagens é vítima do acontecido, inclusive com efeitos em CGI que renderam nomeação ao Oscar, mas nunca houve um filme exclusivo sobre o desastre. Por quê?

Há, por exemplo, vários filmes sobre os Atentados de 11 de Setembro. Talvez porque o tsunami resultou em milhares de mortes e prejuízos para milhões.Talvez seja porque o grande inimigo é a natureza. Ou porque um desastre de tamanha magnitude lembre a Deus. Tudo isso deixa este assunto deveras delicado. E é exatamente isso que o diretor espanhol Juan Antonio Bayona (O Orfanato) explora: tamanha complexidade emocional e ideológica em um acontecimento tão aterrador e transformador, coisas impossíveis acontecendo (sim, daí vem o título), enquanto só há a afirmação do poder da natureza.

O longa começa com um plano do oceano, e logo um som ensurdecedor invade a sala de projeção. Essa imagem na qual a água (natureza) aparece imponente em sua vastidão se repete em momentos-chave do filme, mostrando a fragilidade do ser humano. O som ensurdecedor é apenas o som da turbina de um avião, porém planejado de modo que o barulho fosse inesperado e incômodo. Enquanto nos filmes de ação os barulhos de tiros e coisas explodindo parecem música, aqui você sente até uma porta se fechar. Esse efeito é explorado várias vezes ao longo da projeção para que possamos aproximar da realidade dos personagens, entender seu desespero e tensão.

É justamente essa ideia leva o diretor e o roteirista Sergio G. Sánchez (O Orfanato) a apostarem em sequências de tensão que muitos chamarão de “forçadas”, já que são muitas coincidências de encontros e desencontros, e situações facilmente resolvidas ao fazer uma simples pergunta. Portanto, eles se arriscam a esse mal-entendido de uma parcela do público, para transportar o máximo da realidade dos personagens: tensão sem descanso, ao passo que estão em um país estranho, em meio ao caos, desconhecendo a situação de seus parentes mais próximos.

Também ligado a essa questão está o fato de uma criança ser um dos protagonistas do filme, assim a importância dos planos nos quais a arte é minuciosa ao retratar feridas expostas, os montes de cadáveres e a destruição deixada pelas ondas. A fotografia é espetacular, realista sem deixar de contribuir para a narrativa dos personagens.

Com um roteiro elegante, excluindo cenas que seriam repetitivas mesmo sendo emocionante – algo que certos filmes apelativos fazem, transformando-os em um vazio narrativo –, planificação corajosa – vide a seqüência de emersão de certo personagem, que se compara a filmes de vídeo-arte -, trilha sonora competente e atuações de se fazer chorar (literalmente), o longa traz uma ótima experiência ao expectador, fechando o ano entre os melhores de 2012.

9/10

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