Os Penetras

Penetras

Olhares preconceituosos logo se voltam para a nova produção nacional Os Penetras (2012) não só pelo fato do título remeter a “Os Penetras bons de bico” de 2005, mas também, pelo enredo um tanto similar ao filme com Owen Wilson e Vince Vaugh, que neste caso, Marcelo Adnet e Eduardo Sterblich. Porém, logo se obtém uma surpresa positiva ao ver uma comédia que não tenta inovar as piadas ou escrachá-las para gerar um humor de fácil digestão, e acaba prestando uma homenagem ao já quase esquecido e popular das antigas produções cinematográficas brasileiras, malandro carioca.

Interna, quarto de hotel- dia: Somos apresentados a Marco Polo (Marcelo Adnet) ao melhor estilo “James Bond” carioca; uma linda mulher na cama e uma vista deslumbrante da cidade, logo, logo, ele começa a demonstrar seu lado mais baixo tentando aproveitar-se da situação. Com poucos minutos de filme, já sabemos tudo o que se precisa sobre o personagem de Adnet, e da forma de como ele age. Agora é a vez de Beto (Eduardo Sterblich) um “bobão” apaixonado que tenta de qualquer forma, voltar para Laura, seu grande amor: desiludido com o repúdio de Laura, Beto decide tomar medidas drásticas, e por um incidente, acaba encontrando Marco, que logo vê a chance de se aproveitar do coração partido de Beto para tapeá-lo.

Marco se une ao seu mentor Nelson (Stepam Nercessian) e juntos depenarem a recheada carteira de sua mais nova vítima. Tudo o que ele precisa fazer, é ir até o Hotel onde está Laura e tentar convencê-la ao menos dizer quando ela deixou de amar Beto. Usando de suas artimanhas para se infiltrar no lugar, Marco Polo acaba se encantando com a beleza da Femme Fatale Laura (Mariana Ximenes) com quem se identifica logo de imediato. Marco fica um tanto ressentido com a situação de Beto, e acaba o mantendo por perto por uma certa “culpa” sem deixar é claro, de se aproveitar o quando pode da malandragem. E assim, Beto vai pouco a pouco entrando no mundo dos golpes, enquanto Marco luta para não desvirtuar seus valores de malandro e se sair bem no final. O filme conta com uma série de participações famosas, porém sem muita relevência, o que é típico das comédias nacionais.

Quem assina a direção, e também em parte o roteiro é Andrucha Waddinton (Eu Tu Eles e Casa de Areia). E dirige de maneira fluida, apostando em ângulos bastante elaborados, um roteiro com diálogos bem escritos, peca um pouco na construção de algumas situações, como a de Marcelo Adnet em um restaurante oriental, o mesmo que em compensação mostra um grande amadurecimento em sua atuação, deixando as caras e bocas de lado, o que também vale para Sterblich que coloca emoção em dose certa para seu personagem não ficar sobe a sombra de suas famigeradas interpretações na TV ( Freddie Mercury Prateado e César Polvilho) ambos formam a dupla idílica.

Os Penetras não é a comédia brasileira do ano, e nem o cartaz faz jus ao filme, mas em contraposição a outras do mesmo ano, gênero e nacionalidade, sem dúvida que deveria ser.

8/10

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