Gonzaga – De Pai para Filho

O cineasta Breno Silveira tem em sua bagagem cinematográfica uma extensa lista de filmes consagrados ou conceituados pela crítica, seja ele atuando tanto na direção quanto na fotografia. O forte de Breno é saber trabalhar meticulosamente as mudanças de personalidade que são necessárias para decorrer da trama e o próprio desenvolvimento dos personagens. Por sorte ou não, Breno Silveira está sempre perto de uma produção que requer esse certo tipo de foco. Em 2005 ele conseguiu um grande feito no cinema nacional, antes mesmo do famigerado Tropa de Elite que levou milhares de pessoas ao cinema, burlou a venda massiva de seu filme na pirataria, o que não impediu de esgotar o estoque de DVDs originais. Junto da roteirista Patrícia Andrade trouxe a história da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano que nas telas tornou-se  “Os 2 Filhos de Francisco” e assim ele se torna o responsável pela humanização de ídolos nacionais, mostrando todo o sangue, suor e canções que perpetuaram a vida dos artistas.

Retornado ao gênero mais rentável que a dupla obteve Breno e Patrícia apostam na vida de Luis Gonzaga e seu filho Gonzaguinha, o filme começa enfoca na vida do pai e sua rivalidade com o filho, um conflito de gerações e estilos que separam duas grandes vozes. O filme começa com narração autêntica de Gonzaguinha em entrevista ao seu pai na sua cidade natal Exu, em Recife, onde o adolescente Luis Gonzaga ( Land Vieira) aprende os primeiros acordes da sanfona e no dia seguinte torna-se um verdadeiro Jimi Hendrix quando a questão é impressionar o amor de sua vida Nazarinha ( Cecilia Dassi) filha de um poderoso coronel que manda na cidade. O filme segue idas e voltas na vida de Gonzaga e seu filho, mostrando primeiramente o passado do pai que já adulto é interpretado por (Chambinho do Acordeon) , tentando se encontrar na vida e descobrindo a música e logo depois com seu filho, que é deixado de lado, criando uma desavença pelo pai, a mesma que ele tenta amenizar no presente.

O filme começa a se perder quando você percebe as semelhanças obvias que ele tem com 2 Filhos de Francisco, o roteiro por demasiadas vezes parece um só, com nomes diferentes e mais personagens. Apesar dos 120 minutos com o qual o filme conta para detalhar a obra de pai e filho, mais de pai, o filme não apresenta nada de novo, nem mesmo chega a emocionar, a fotografia não deixa a desejar, ela se esforça pra deixar-se transparecer um sentimento de comoção no espectador, mas a sensação que se tem é que você já havia visto isso em outro filme e que nele deu certo. Outro problema é quantidade de personagens mal explorados que fizeram parte da vida de Gonzaga e são responsáveis por muitos de seus sucessos. Apesar de tudo, o filme tem seus momentos quando não tenta ser uma declaração de “Pai para filho” a direção de arte é impecável, fazendo crer que os tempos boêmios do Rio voltaram exatamente como mostrado em fotos de época, e temos (Cassio Scapin) em uma rápida participação como o radialista Ary Barroso e seu famoso show de calouros.

Em suma, temos uma produção esteticamente magnificente, figurino, cenário, fotografia, cor, um elenco grande para interpretar as faces do tempo de um só personagem e (Julio Andrade) estupendo como Gonzaguinha. Apesar dos problemas, vale a pena conferir e ficar pros créditos, pois é um dos pontos mais altos do filme (se não o mais alto), onde impreterivelmente não poderia faltar o hino do sertão “Asa branca”, maior sucesso de Luís Gonzaga.

8/10

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