Os Candidatos

Não existe época mais polarizante nos Estados Univos, do que o ano da eleição para presidente, com as campanhas de ambos partidos (Democrata e Republicano) constantemente se atacando na mídia. Lá, até canais de notícias a cabo tomam partido e o cenário fica realmente feio.

Pois bem, 2012 é, novamente ano de eleições na terra do Norte e o cenário político realmente está tão feio de se ver quanto seria de se esperar. Tão feio que é ridículo. Ridículo a ponto de merecer, e muito, ser altamente criticado, particularmente na forma de paródias.


“Os Candidatos”, cuja o título original “The Campaign”, ou seja, “A Campanha”, é ainda mais apropriado para descrever sua história, aborda exatamente esta questão.
Não estamos falando da campanha presidencial, é claro, e sim de candidatos que concorrem ao Congresso Americano, o que aqui meio que equivalem à deputados.

Lá, os terrítórios de um estado são divididos por distritos e cada distrito tem um congressista. É muito frequente que determinados distritos tenham uma tradição, democrata ou republicana, sempre elegendo candidatos do mesmo partido, geralmente na forma do mesmo candidato por repetidos mandatos.

Cam Brady (Will Ferell) é um desses congressistas, que, rumo ao seu 5º mandato consecutivo, e sem oposição para se manter no cargo, se envolve em um escândalo sexual, como os vários que verdadeiramente vem ASSOLANDO o cenário político americano nos últimos anos.

A fim de obterem um ganho financeiro que ter um congressista manipulado por eles traria, dois irmãos milionários (interpretados pelos veteranos Dan Aykroyd e John Lithgow) enxergam nesta situação a oportunidade de financiar um candidato manipulável para concorrer com Brady e obter sua vaga no Congresso. O homem escolhido é o ingênuo e afetado diretor do centro de Turismo da cidade, Marty Huggins (Zach Galifianakis), filho de um importante coordenador de campanhas com longa tradição política.

Por sua maior parte, o filme é de um cinismo incrível. Embora Marty seja uma boa pessoa e comece a eleição com a melhor das intenções, Brady não pensa da mesma forma, então é claro que não demora NADA para a coisa ficar feia.
Os candidatos, e por extensão sua campanha, passam a se atacar cada vez mais ferozmente, levando a situação cada vez mais longe e para patamares cada vez mais sujos e indecentes.

Marty, um político de tradição que tenta se fazer parecer perfeito, na verdade é um grande hipócrita que vive repetindo o mesmo discurso patriótico e vazio e parte para o ataque imediatamente.
Apesar de extremamente ingênuo e idealista, Marty influenciado por seu inescrupuloso coordenador de campanha, Tim Wattley (Dylan McDermott) rapidamente se rende a ambição da campanha e também começa a jogar sujo.

Pode não ser tão claro para o público brasileiro, não familiarizado com os meandros da política americana, mas o filme tem uma ressonância incrível com a realidade do cenário político americano atual, pois, embora feito de forma bem caricata, apresenta vários elementos frequentes da política americana, tais como os escândalos sexuais, a família modelo e a retórica repetitiva e vaga de certos candidatos.
Até mesmo os irmãos Motch são uma paródia de irmãos reais, os Kotch, empresários milionários envolvidos no financiamento de grupos e candidatos republicanos.

Will Ferrel, que já interpretou várias versões esteriotipadas de políticos, inclusive o próprio George Bush, em seus tempos de Saturday Night Live, se sente completamente a vontade no papel e dele que saem a maioria das falas engraçadas do filme, ainda mais com seu constante e inretringido uso de palavrões, dos quais o filme usa e abusa.
Zach Galifianakis, em papel razoavelmente diferente do que está acostumado também faz bem sua parte, principalmente quando decide pegar pesado.
O resto do elenco funciona bem, mas o show realmente é dos dois comediante no papéis princiais.

È um bom espelho colocado diante dos políticos e do cenário político americano, mas apesar de suas diversas semelhanças com o mundo real, “Os Candidatos” nunca se leva a sério.
Além do grande uso de palavrões, faz ótimo uso de situações embaraçosas e até mesmo do humor físico, que rendem os melhores momentos do filme.

7/10

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