Sniper Americano

Por Fábio de Carvalho P.

Sniper Americano é um filme devastador. A experiência que o filme provoca é física. O drama é íntimo e ao mesmo tempo barulhento e desesperado. O personagem de Chris Kyle não é um herói, não existem heróis na guerra. Existem seres humanos, sem maniqueísmos. A obra de Clint Eastwood foi montada como uma homenagem, mas eu me recuso a aceitar essa faceta, não me parece justo. Eu assisti outro filme. O filme que eu assisti me fez sair tremendo e sem ar do cinema, me tocou de forma profunda e me levou a uma reflexão essencial sobre a condição humana.

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Um Santo Vizinho

Na sua estreia como diretor Theodore Melfi não se arrisca muito ao tentar mostrar seu potencial, e apresenta uma trama rasa, de poucos risos, mas que não decepciona.

O beberrão e mal educado Vincent (Bill Murray) não faz nada da vida além de apostar em cavalos e passar breves momentos com a prostituta Daka (Naomi Watts), falido e na mira dos cobradores, Vincent acaba virando babá do garoto Oliver (Jaeden Lieberher) e com o pouco que ganha, mantém seus vícios e arrasta o menino para dentro de suas jornadas.

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50 Tons de Cinza

Já começo dizendo que não li o livro por ler críticas bem negativas à trama, mas não imaginei que sairia tão decepcionada do cinema.

Apesar de ter uma fotografia muito bonita, o filme que tem como protagonistas Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson), deixa bastante a desejar. São duas horas inteiras de um jogo de sedução que me deixou seriamente incomodada. O protagonista é um bonitão que curte BDSM e além disso é um milionário. Talvez seja esse detalhe que não faça Ana sair correndo ao primeiro sinal de bizarrice em relacionamentos que Christian apresenta, ao sugerir um contrato de confidencialidade entre os dois para que haja algum tipo de relação. Só eu achei a relação abusiva? Só eu fiquei com um alarme na cabeça toda hora que ele claramente a stalkeava e exigia coisas sem muita explicação, dando uma de “porque eu quis” versão gringa e bonitona?

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Corações de Ferro

A brutal situação de medo e desesperança vivida por soldados durante a guerra é tema constante de diversas produções cinematográficas, a maioria delas – mesmo as que envolvem um singular grupo de soldados individualizam seu foco, cada qual é mostrado como uma peça de um jogo de tabuleiro: possui sua função específica, caso seja sacrificado pode ter seu lugar substituído por outra peça do jogo. O diretor David Ayer Dia de Treinamento (2001) foca em apresentar um grupo que na verdade parece uma pessoa apenas, uma única peça – e talvez a central do jogo de tabuleiro.

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A Entrevista

A mais recente parceria entre Seth Rogen e James Franco aliados ao diretor e produtor Evan Goldberg talvez tenha rendido seu fruto mais amargo. Tentando passar despercebido e nem tanto ameaçador como Team America – Detonando o Mundo (2004) A Entrevista acabou gerando uma das maiores polêmicas cinematográficas, e dessa vez não por culpa de gênios como Chaplin que já parodiou Adolf Hitler em O Grande Ditador (1940), ou como Trey Parker e Matt Stone famosos de longa data por seu humor escrachado e escatológico. Evan Goldberg e Seth Rogen miraram em um alvo muito alto para sua baixa pontaria, e o que era para ser só mais uma típica comédia pastelão acabou gerando uma situação de proporções desastrosas.

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Grandes Olhos

“Grandes Olhos” é um filme que levanta várias questões dos direitos da mulher tanto em sociedade quanto na vida privada (e conjugal). Para quem é mãe e/ou enfrentou alguma dificuldade com a sociedade ou relacionamentos sufocantes, é uma ótima recomendação.

O filme é baseado na história da pintora Margaret Keane (Amy Adams). Ela se divorcia nos anos 50, quando ainda não era “modinha” e acaba se vendo desamparada na companhia de sua filha pequena, que era a pessoa que Margaret mais adorava pintar. Seus retratos possuíam grandes olhos, que dividiam opiniões na época. Ao enfrentar problemas com o pai da criança, que tenta ter a guarda pelo simples fato de Margareth ser uma mãe solteira, ela se casa precocemente com o também pintor Walter Keane (Christoph Waltz).

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A Teoria de Tudo

por Fábio de Carvalho P.

Quando se entra em uma sala de cinema para assistir à biografia de Stephen Hawking, muito passa pela mente. A temporada de Oscars do cinema americano é notória por sua avalanche de filmes mornos e pré-fabricados que levam a arte cinematográfica a atrofiar. Importar, ou não, com o homem Stephen Hawking é de pouquíssima importância para a apreciação do filme, visto que estamos mais vendo um conjunto de elementos familiares do cinema acadêmico (histórias de superação, sentimentalismo, fotografia estéril) do que a história de um indivíduo único na história da humanidade. Tudo me parece conduzido para uma experiência oposta à tudo que eu busco de uma bela obra. Ao me iniciar na crítica cinematográfica me interessava o formato ensaístico, em que a crítica em si assume um papel de processo criativo, artístico, através de paralelos da obra com o resto do mundo cultural, mas me parece que um filme como A Teoria de Tudo não permite esse tipo de exercício. É uma obra que aparenta ser vibrante, pela força de sua personagem principal, mas que apresenta a típica aspiração do cinema hollywoodiano em emocionar a plateia através de suspiros agridoces.

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